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UM MARCO HISTÓRICO PARA A PSICOLOGIA BRASILEIRA!

  • Foto do escritor: frentemineiradapsi
    frentemineiradapsi
  • 19 de dez. de 2025
  • 4 min de leitura

Há marcos que não cabem apenas no tempo cronológico. Eles atravessam gerações, condensam lutas e anunciam futuros. A presidência de Alessandra Santos de Almeida no Conselho Federal de Psicologia é um desses acontecimentos.


Desde Virgínia Leone Bicudo, primeira vice-presidenta do Conselho Federal de Psicologia, mulher negra, intelectual pioneira e referência incontornável na Psicologia brasileira, a autarquia foi, por décadas, presidida majoritariamente por homens e mulheres brancas. São 52 anos que separam Virgínia e Alessandra em suas atuações no CFP, mas há entre elas uma mesma estrada: feita de sonhos, pioneirismo, resistência e compromisso coletivo. 


Ao longo dessas décadas, a presença inaugurada por Virgínia no I Plenário não se perdeu no tempo; tornou-se semente, resistência e horizonte, abrindo uma estrada de coragem e enfrentamento que atravessou gerações e amadureceu em conquistas. No XIX Plenário, gestão da Frente em Defesa da Psicologia, essa travessia alcança um marco histórico com a primeira presidência de uma mulher negra no CFP. Alessandra Almeida (CRP 03/3642), nordestina, baiana, mãe solo, bissexual, feminista e antirracista, marca esse novo pioneirismo não como exceção ou ponto de chegada individual, mas como continuidade viva do caminho iniciado por Virgínia Bicudo, em que o tempo não apagou a luta, apenas a aprofundou, transformando presença em liderança e resistência em possibilidade concreta de mudança construída por muitas forças, vozes e fazeres.


Sua trajetória é marcada por uma Psicologia que se faz no encontro com a vida concreta e subjetiva. Alessandra tem atuação sólida na clínica, nas políticas públicas de assistência social, na Psicologia do Trânsito, em emergências e desastres, sempre orientada por uma perspectiva interseccional e decolonial, que reconhece raça, gênero, classe, corpos, orientações sexuais e territórios como dimensões indissociáveis do cuidado psicológico.

Sua formação acadêmica reflete esse compromisso: mestra em Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres, Gênero e Feminismos pela Universidade Federal da Bahia; especialista em Psicologia do Trânsito, Emergências e Desastres; e com formação em Grupo Operativo, na abordagem de Pichon Rivière. Formação que não se encerra nos títulos, mas se renova na prática política e institucional.


O caminho de Alessandra no Sistema Conselhos de Psicologia começa na Bahia. No Conselho Regional de Psicologia da Bahia (CRP-03), atuou como conselheira, integrou comissões e grupos de trabalho e participou de importantes construções coletivas. Junto a psicólogas feministas, fundou o Grupo de Trabalho Relações de Gênero e Psicologia (2008), a Comissão de Mulheres e Relações de Gênero (2015) e o Coletivo Psicologias em Movimento (2016). Atuou em gestões do regional e foi vice-presidenta e em seguida, presidenta do CRP-03 no XV Plenário (2017-2019). Articulada às ações no Conselho, participou da fundação do Sindicato das Psicólogas e Psicólogos do Estado da Bahia (2009) e colaborou em diversas comissões e grupos de trabalho nas duas gestões do CFP em que esteve como conselheira. Sua atuação sempre esteve orientada pela construção de conquistas coletivas, nunca pela ocupação isolada de cargos.


Alessandra Almeida tem sido voz firme na defesa de uma Psicologia feminista, antirracista e antiLGBTfóbica, comprometida com o enfrentamento de todas as formas de opressão. É ativista pelos direitos das mulheres, pelo cuidado em liberdade e pela luta antimanicomial; pelo reconhecimento da população negra, dos povos indígenas e da comunidade LGBTQIA+; pela valorização das psicólogas e dos psicólogos que atuam nas políticas públicas; pelo direito à mobilidade urbana e pela Psicologia do Trânsito, campo que também fundamenta sua pesquisa de mestrado, defendida em 2021.


Sua atuação no CFP reafirma uma Psicologia comprometida com a promoção de direitos, com a democratização da saúde, da assistência social e da educação, e com a defesa intransigente da vida. Destaca-se, ainda, sua defesa pela interiorização do Sistema Conselhos de Psicologia, começando por seu próprio estado, a Bahia. Uma defesa que reconhece a regionalidade como princípio ético político fundamental, rompendo com a ideia de um país homogêneo e afirmando a pluralidade dos territórios e das populações brasileiras.


No exercício da presidência no CRP-03 (Bahia), Alessandra também provoca o Sistema Conselhos a enfrentar suas próprias estruturas, ao pautar a necessidade de implementação de reserva de vagas para ocupação dos cargos de conselheiras e conselheiros. Esse processo resultou na criação da Resolução CFP nº 005/2021, abrindo caminho para transformar os rostos, as histórias, as lutas e os sonhos que ocupam os espaços de poder na Psicologia brasileira, algo que foi implementado pela primeira vez nas eleições da Psicologia em 2022.


A presidência de Alessandra Almeida, simboliza o fortalecimento da diversidade nos espaços de decisão da maior instância da Psicologia brasileira, o CFP. Representa o reconhecimento público da Psicologia como ciência e profissão comprometida com os Direitos Humanos e a valorização de trajetórias atravessadas por barreiras históricas de raça, gênero, sexualidade e território. Além de refletir uma condução institucional marcada pela sensibilidade ética, política e humana, capaz de considerar afetos, contextos, diferenças e atravessamentos sociais como parte legítima da prática profissional da maior categoria de psicólogas(os) do mundo. Que essa história inspire novas gerações de psicólogas e psicólogos a ocupar espaços, produzir conhecimento e transformar realidades com ética, responsabilidade social e compromisso com a vida. Que este marco não seja reduzido à personificação individual, nem sofra apagamentos. A luta por uma Psicologia comprometida com as maiorias populares não se sustenta em projetos individuais, mas em construções coletivas. Reconhecer essa trajetória é também enfrentar o epistemicídio que, por décadas, eclipsou as contribuições de Virgínia Bicudo e de tantas outras mulheres negras que marcaram a Psicologia brasileira sem terem sua história plenamente reconhecida nos espaços de poder.


Por isso, registramos seu nome. Alessandra Almeida, nossos sinceros agradecimentos por sua luta, por sua vida e por sua história. A Psicologia se coloca à frente quando sustenta sua memória, reconhece seus avanços e recusa o silêncio e o apagamento. Como sempre, você seguirá abrindo caminhos para que muitas outras mulheres negras ocupem a presidência do Conselho Federal de Psicologia.]


Agradecemos Alessandra Almeida e a todo o XIX Plenário do CFP pela atuação coletiva e feitos preciosos para a Psicologia Brasileira!


Frente em Defesa da Psicologia Brasileira

Brasil, 19 de dezembro de 2025.


 
 
 

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