NA DEFESA DA SOBERANIA DO POVO VENEZUELANO
- frentemineiradapsi

- 5 de jan.
- 3 min de leitura

Nota pública da Frente em Defesa da Psicologia
A Frente em Defesa da Psicologia manifesta sua profunda preocupação e
repúdio às ações de agressão, coerção política, econômica e diplomática
promovidas pelo governo dos Estados Unidos contra a República Bolivariana da
Venezuela, intensificadas no contexto de disputas geopolíticas e de interesses
estratégicos associados à agenda do governo norte-americano.
Tais ações não podem ser compreendidas como fatos isolados, mas como parte de
um histórico de intervenções que fragilizam a soberania dos povos latino-americanos e ameaçam a estabilidade regional, incluindo o Brasil e demais países da América Latina.
A escalada de pressões externas, sanções econômicas e ameaças explícitas de
intervenção configuram grave violação do direito internacional, do princípio da não
intervenção entre Estados e dos fundamentos da autodeterminação dos povos.
Essas práticas afrontam diretamente a Declaração Universal dos Direitos Humanos
(DUDH), em especial o Artigo 2o, ao produzir distinções e punições fundadas na
condição política e internacional de um país, penalizando coletivamente sua
população e restringindo o gozo pleno de direitos fundamentais.
A soberania nacional e a autodeterminação dos povos são pilares indispensáveis
para a democracia, para a construção de projetos coletivos de sociedade e para a
garantia de uma vida digna. Nenhum povo pode ser submetido a bloqueios, sanções
ou ameaças externas que comprometam sua capacidade de decidir, de forma
autônoma, seus rumos políticos, econômicos e sociais. A defesa da democracia não
pode servir de pretexto para práticas que aprofundam desigualdades, produzem
sofrimento humano e desestruturam sistemas de proteção social.
Do ponto de vista da Psicologia, é imprescindível destacar que tais agressões têm
efeitos diretos e indiretos profundos sobre a vida cotidiana, a saúde mental e o
bem-estar psicossocial da população venezuelana. A intensificação da insegurança
material, a escassez de recursos básicos, o enfraquecimento das políticas públicas
e o clima permanente de ameaça produzem sofrimento psíquico, ansiedade
coletiva, desesperança, ruptura de vínculos comunitários e agravamento de quadros
de sofrimento mental, especialmente entre crianças, idosos e grupos em situação de
maior vulnerabilidade.
Esses processos também impactam de forma significativa os fluxos migratórios e de
refúgio na região, gerando deslocamentos forçados, exposição a múltiplas
violências, discriminação e precarização das condições de vida. A Psicologia
brasileira tem historicamente se posicionado na defesa dos direitos de pessoas
migrantes e refugiadas, reconhecendo os efeitos psicossociais do deslocamento
compulsório e a necessidade de políticas públicas de acolhimento, proteção social e
cuidado integral em saúde mental.
A posição da Frente em Defesa da Psicologia encontra respaldo no Código de Ética
Profissional do Psicólogo, que estabelece, como Princípio Fundamental, o
compromisso com a liberdade, a dignidade, a igualdade e a integridade do ser
humano, fundamentado nos valores da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Da mesma forma, o Código veda qualquer forma de conivência com práticas de
discriminação, violência, opressão, violação de direitos ou instrumentalização do
conhecimento psicológico a serviço da coerção e da crueldade.
Diante desse cenário, reafirmamos que a Psicologia, enquanto ciência e profissão
comprometida com os direitos humanos, não pode se omitir frente a processos que
produzem sofrimento coletivo, violam a soberania dos povos e ameaçam a
democracia. Manifestamos nossa solidariedade ao povo venezuelano, defendemos
o respeito irrestrito à sua autodeterminação e conclamamos a comunidade
internacional, as instituições democráticas e a sociedade civil a rejeitarem qualquer
forma de intervenção que agrave a crise humanitária e psicossocial na região.
Defender a soberania dos povos é defender a vida, a dignidade, a saúde mental e o
direito de todas as pessoas a existirem em condições justas, democráticas e livres
de violência.
Brasil, 5 de Janeiro de 2026
Frente em Defesa da Psicologia



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